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ANTP retoma relatórios de mobilidade e aponta mudanças no deslocamento urbano após a pandemia

Imagem: Reprodução – antp.org.br

A Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) retomou a produção da série do Sistema de Informação da Mobilidade Urbana (SIMOB), um dos principais termômetros da mobilidade urbana no Brasil. Com a divulgação das edições de 2023 e 2024, a entidade restabelece o ciclo anual de elaboração e publicação dos relatórios sobre deslocamentos nas cidades brasileiras, interrompido nos últimos anos.

A última edição disponível, até então, era a de 2018. As publicações entre 2019 e 2022 foram suspensas em razão dos impactos da pandemia de COVID-19, que afetou tanto o funcionamento da entidade, quanto a dinâmica da mobilidade no país.

A retomada ocorre em um cenário de mudanças nos padrões de deslocamento. Antes da pandemia, a metodologia do SIMOB utilizava como referência dados consolidados a partir de 2014. As transformações recentes (como alterações na frequência e na distribuição das viagens ao longo do dia) exigiram a revisão dessas bases.

Nesse contexto, a Pesquisa Origem/Destino 2023, conduzida pelo Metrô de São Paulo, contribuiu para a atualização dos indicadores. O levantamento permite comparar os dados de mobilidade da Região Metropolitana de São Paulo entre 2017 e 2023, oferecendo subsídios para a compreensão do cenário pós-pandemia.

O SIMOB reúne informações de 533 cidades brasileiras com mais de 60 mil habitantes. Entre os indicadores analisados estão a divisão modal dos deslocamentos, o número de viagens por habitante, os tempos de percurso, os custos do transporte público, além do consumo de energia e da emissão de poluentes.

Com a retomada das publicações, a ANTP volta a disponibilizar uma base atualizada de dados que pode apoiar o planejamento urbano e a formulação de políticas públicas voltadas à mobilidade nas cidades brasileiras.

O que dizem os novos relatórios?

As edições de 2023 e 2024 mostram mudanças significativas em relação aos dados estimados para o último relatório publicado (2018). A seguir, seguem alguns recortes nos dados contidos no SIMOB, segundo a ANTP:

  Quantidade de viagens:

Os dados do SIMOB mostram que de 2018 a 2023 ocorreu uma queda de 15,1% no número total de viagens, mas de significado diferente em cada modo de transporte:

  • Transporte individual (automóvel e motocicleta): crescimento de 7%;
  • Transporte coletivo (ônibus e sistemas sobre trilhos): queda de 34%;
  • Transporte não motorizado (pedestre e bicicleta): queda de 18%.

·       Divisão Modal:

No período de 2018 a 2013, houve uma mudança significativa na participação dos modos agregados na divisão modal:

  • Transporte individual: crescimento de 26%, passando de 30% para 38%;
  • Transporte coletivo:  queda de 21,4%, passando de 28% para 22%;
  • Transporte não motorizado: queda de 4,8%, passando de de 42% para 40%.

·      Índice de Mobilidade – IM (viagens por dia por habitante):

Os dados do SIMOB de 2018 e do 2023 indicam uma queda de 18,8% no índice geral de mobilidade, que sai de 1,65 viagens por habitante por dia, para 1,34. 

Observando-se o índice de mobilidade por modo:

  • Transporte individual: estabilizado, saindo de 0,50 para 0,51;
  • Transporte público: queda de 37%, saindo de 0,46 para 0,29; 
  • Transporte não motorizado: queda de 21,8%, saindo de 0,69 para 0,54.

De acordo com informações da ANTP, dados mais recentes indicam uma mudança estrutural nos padrões de deslocamento nas cidades brasileiras após a pandemia de COVID-19, com avanço do transporte individual e retração do uso do transporte coletivo. Segundo a Associação Nacional de Transportes Públicos, os números reforçam uma alteração de hábitos da população, já percebida no cotidiano, mas que ainda apresenta desafios para análise e compreensão mais precisa.

A comparação entre os dados mais recentes, no entanto, aponta uma possível estabilização desse novo cenário. Os resultados de 2023 e 2024 se mostram próximos, sugerindo a consolidação de um novo patamar de mobilidade urbana. Diante desse contexto, a entidade destaca a importância de ampliar investimentos em pesquisas e estudos que permitam entender melhor essas transformações e apoiar o planejamento de políticas públicas e projetos voltados ao setor.

Confira os relatórios da série, visitando a página do SIMOB, ou vá direto aos respectivos anos aqui: 2023 e 2024.

*Com informações da ANTP.