
O SETPESP (Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de São Paulo) inicia, a partir do dia 6 de abril, a divulgação dos resultados de sua nova Pesquisa de Remuneração, Benefícios e Práticas de Recursos Humanos, focada no ano de 2026. O estudo reúne dados de empresas do transporte rodoviário e dos segmentos urbano, suburbano e metropolitano de ônibus, ampliando o panorama sobre a gestão de pessoas no setor.
A pesquisa analisou 249 cargos em 30 empresas, contemplando mais de 38 mil trabalhadores. O levantamento aponta salário médio mensal de R$ 3.327 e evidencia a forte concentração da força de trabalho na área operacional, que representa 81% do total. Nesse grupo, há predominância masculina, especialmente em funções como motoristas e manutenção.
Entre os principais achados, o estudo mostra que o setor de ônibus apresenta defasagem salarial em relação ao mercado geral para cargos técnicos e de coordenação, com diferenças que variam de 26% a 55%. Por outro lado, os salários são mais competitivos em posições operacionais e gerenciais. A análise também indica baixa adoção de remuneração variável, como bônus e participação nos resultados, prática mais comum em outros segmentos.
No campo dos benefícios, todas as empresas participantes oferecem assistência médica, enquanto alimentação, odontologia e seguro de vida também aparecem com alta adesão. Já iniciativas como previdência privada, incentivos de longo prazo e benefícios flexíveis ainda são pouco disseminadas.
O levantamento aponta, ainda, que 65% das empresas planejam implementar programas estruturados de carreira e sucessão, sinalizando uma preocupação crescente com retenção de talentos, um dos principais desafios do setor diante da escassez de mão de obra qualificada.
Segundo Antonio Laskos, diretor executivo do SETPESP, o projeto busca oferecer suporte prático às empresas diante dos desafios atuais. “A pesquisa e a mentoria foram estruturadas para ajudar o setor a lidar com questões como substituição de mão de obra e retenção de talentos, em um cenário que exige cada vez mais qualificação”, afirmou.
Para José Prudente, a análise vai além da análise sobre a remuneração. “A retenção de talentos não depende apenas de salário e benefícios, mas também de fatores como ambiente de trabalho, liderança e oportunidades de desenvolvimento”, destacou.
Mentoria gratuita
Como desdobramento da pesquisa, as empresas participantes terão acesso a uma mentoria gratuita em Recursos Humanos, conduzida pela consultoria Neon e coordenada pelo especialista José Prudente. A iniciativa tem o objetivo de apoiar a interpretação dos dados e o desenvolvimento de projetos internos voltados à atração e retenção de profissionais.
Com a divulgação dos resultados, que acontece individualmente para cada empresa participante, o SETPESP pretende fornecer subsídios para que as empresas aprimorem suas políticas de gestão de pessoas, com base em dados consolidados do próprio setor e comparativos com o mercado mais amplo.
